Terça-feira, 18 de Maio de 2010

arte

touch of colors by michal huštaty
 

Quero viver a arte, devora-la para saciar a fome do espírito. Quero perder horas a decifrar os enigmas de outros, e esquecer-me dos meus. Quero sentir-me menos sozinha, sabendo que alguém já esteve no meu lugar e caminhou pelos mesmos caminhos. Quero ver reflectidos nos meus olhos esses mesmos tesouros. Quero pintar pelos próprios dedos, mil telas. Quero compor a música capaz de tocar a tua alma. Quero escrever o sonho que eu vi. Quero ser arte, e contribuir para o mundo, com um pouco mais de esplendor.

vida de nadas


Eu deixo-te escorregar por entre as minhas fantasias, por esses pedaços surreais que enchem a vida de cor. Quando transcendes para a realidade, tudo se torna tão mais negro - porque existe algo a perder. Se viver numa vida de nadas, e fingir encher o vazio, é tão mais fácil. Mas deixa-me contar-te um segredo, nunca um nada será suficiente, e nem a imaginação pode correr tão depressa como as lágrimas que me tapam o rosto quase todas as noites. 

                                                                                 autor desconhecido

Movo-me lentamente por esse cemitério, em cada lápide uma ausência. Confesso ao vento, que às vezes procuro-te no fim do dia que cai. Nesses pores-do-sol, a esperança renova-se, e toca o tão conhecido compasso da espera. As noites arrastam-se até que dão lugar a dias sem sol, e então desespero por esse suspiro de vida - da história que não tem fim. 




 
Chanel Haute Joaillerie

Domingo, 25 de Abril de 2010

adeus


Hoje faz sentido olhar para trás e dizer o que não foi dito - o adeus. O tempo e o chão mudaram, a vida compõe-se de diferentes melodias, e tu e eu deixamos de existir. Não podemos ser o que não construímos.  A conjugação perdeu-se pelo longo percurso, que culminou no seu próprio enterro. E estas são as últimas palavras que direi sobre ti, nesse tão desejado velório, da vida que um dia foi nossa.


Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

A passagem


Passas por mim com vagar, como quem espera um motivo para não partir. Sentes a minha presença queimar-te, e apenas resistes pelos males de outrem. Dissimulas os teus sentidos, disfarças os sufocos, para continuares a duvidar do que vês com o coração. É mais fácil viver na expectativa, que desvendar a realidade patente nos sonhos, é mais fácil prescindir de mim em nome de convicções. Tu anulas-me, reduzes-me a nada, porque te falta fé, afinal antes de mais é preciso acreditar no que não se vê e não se pode tocar, mas a verdade é revelada, nesses momentos em que a ausência é quebrada, e aí o mundo simplesmente cai-te aos teus pés. Continuas então, a olhar para trás, e segues congelando-me no tempo, e nunca me deixas realmente…


Eu tento evitar a todo o custo sentir, no entanto, há um reflexo que não consigo esconder, e ele lê-se no brilho do olhar. Não sou capaz de expressar por palavras, muito menos por acções, pois se ajo é em contrário, como se a fuga fosse solução. Encontro-me por vezes, confrontada com esse sentir, e procuro novo esconderijo, nos sorrisos, nos gestos, na adrenalina, e em tudo o que possa atordoar a sensação consciente. São marcas inegáveis, do passado que não teve desfecho, que ainda continuam a ser causas no presente. Foi essa ligação que criamos, e que sobreviveu ao tempo, sem explicação, que continua a levar-me até ti. Tudo começou inconscientemente, e continua a ser assim, pois apenas no escuro deixo existir, e aí essa chama arde incansavelmente, esperando com esperança a tentativa que o destino prometeu cumprir.




'Wolford back-seam stockings in Vogue Germany'


Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Fly Away


Tu ainda matas a minha coragem a cada passo que dou em frente, mas é a cada passada que te sinto menos em mim. Este é um novo jogo, de vida e morte, em que tu me tentas matar constantemente e eu ao matar-te vivo cada vez mais. São actos que rompem memórias, e criam um  mundo no qual não desempenhas um papel central. Criei uma distância, que apesar da possibilidade de proximidade física, compensa com um afastamento descomunal em que te tornas invisível, apesar de fazeres de tudo para me tocar. Não quero gritar, não quero chorar, para quê? Já nada é sobre ti, apenas ficam as marcas que deixaste e essa pequena saudade dos dias em que fazia sol, e a fobia dos dias de tempestade. Eu sei que nunca me quiseste magoar, tu sempre me protegeste de uma forma claustrofóbica em que o evitar era a solução. Não falemos em tempo perdido, eu precisava que me sufocasses e deixava que me tirasses a respiração, fui eu a culpada por não ter mudado de rumo mais cedo, eu escolhi-te sem te querer escolher e afinal sempre te amei como se ama o nosso animal de estimação. Agora elevei-me às alturas, e tu és apenas um pequeno ponto lá em baixo, que me dá vertigens e me leva a procurar novos territórios para explorar.




 Waldermar & Max by Anna S.


Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Nada há de melhor que um jogo com alguém que está à nossa altura, é bem mais complexo que ter um adversário superior, pois nesse caso tudo está perdido à partida, aqui não, é uma constante aprendizagem com intenções de encontrar o método de vitória.

Nos desvios tomados pelos olhos, lê-se o ressentimento que perdura nos corações. As desculpas são para quem vive no passado, não as esperes ouvir da minha boca. Admitiste demasiadas versões, escolheste adoptar a pior, mas ainda consegues aceitar a tua ignorância e ter curiosidade por descobrires por iniciativa própria. Não queres admitir, não queres dar o passo em frente, és demasiado cobarde e limitado para entenderes que mudo conforme o vento e és incapaz de acompanhares as minhas muitas direcções. Pensas que me acho superior, e nesse pensamento me atribuis superioridade e condenas-te a ti mesmo pela tua inferioridade. Não tenho medo, não mais, reconheço o que fiz, sabendo quem sou, será que podes dizer o mesmo de ti?